Buch lesen: "Chronica d'El-Rei D. Affonso III"
Rui de Pina
Chronica d'El-Rei D. Affonso III

Publicado pela Editora Good Press, 2022
EAN 4064066405724
Índice de conteúdo
BIBLIOTHECA
BIBLIOTHECA DE CLASSICOS PORTUGUEZES
ESCRIPTORIO
CHRONICA
LISBOA OCCIDENTAL
SENHOR
AO EXCELLENTISSIMO SENHOR
*AMIGO LEITOR*
LICENÇAS
CAPITULO II
CAPITULO III
CAPITULO IV
CAPITULO V
CAPITULO VI
CAPITULO VII
CAPITULO VIII
CAPITULO IX
CAPITULO X
CAPITULO XI
CAPITULO XII
CAPITULO XIII
CAPITULO XIV
CAPITULO XV
CAPITULO XVI
INDEX
BIBLIOTHECA
Índice de conteúdo
DE
*Classicos Portuguezes*
Proprietario e fundador
MELLO D'AZEVEDO
BIBLIOTHECA DE CLASSICOS PORTUGUEZES
Índice de conteúdo
Proprietario e fundador—MELLO D'AZEVEDO
(VOLUME LIV)
CHRONICA
D'EL-REI D. AFFONSO III
POR
RUY DE PINA
ESCRIPTORIO
Índice de conteúdo
147=RUA DOS RETROZEIROS=147
LISBOA
1907
CHRONICA
Índice de conteúdo
DO MUITO ALTO, E MUITO ESCLARECIDO PRINCIPE
D. AFFONSO III
QUINTO REY DE PORTUGAL,
COMPOSTA
POR RUY DE PINA,
Fidalgo da Casa Real, e Chronista Môr do Reyno.
FIELMENTE COPIADA DO SEU ORIGINAL,
Que se conserva no Archivo Real da Torre do Tombo.
OFFERECIDA
A' MAGESTADE SEMPRE AUGUSTA DELREY
D. JOAOO V.
NOSSO SENHOR.
POR MIGUEL LOPES FERREYRA
LISBOA OCCIDENTAL
Índice de conteúdo
Na Officina FERREYRIANA.
M.DCC.XXVIII.
Com todas as licenças necessarias.
SENHOR
Índice de conteúdo
Continuando com a edição das Chronicas dos Senhores Reis de Portugal, gloriosos Predecessores de V. Magestade, continuo tambem na precisa obrigação de as offerecer a V. Magestade. Nesta do Senhor Rei D. Affonso III verá V. Magestade os caminhos que buscou a Providencia Divina para que empunhasse o Scetro um Principe, que para ter menos esperanças do trono se achava cazado em França, e verá V. Magestade a felicidade, com que soube estabelecer nos seus descendentes a Monarchia, que acrescentou com Estados novos, e que soube segurar com a total expulsão dos Africanos. Sirva-se V. Magestade de amparar o meu zelo com a sua Real benignidade, para que animado com tão soberano favor possa dar á luz as Chronicas que faltam. A Real Pessoa de V. Magestade guarde Deos muitos annos como dezejamos.
Miguel Lopes Ferreira
AO EXCELLENTISSIMO SENHOR
Índice de conteúdo
*D. FRANCISCO XAVIER DE MENEZES*
Quinto Conde da Ericeira, do conselho de Sua Magestade, Sargento mór de Batalha dos seus Exercitos, Deputado da Junta dos Tres Estados, Perpetuo Senhor da Villa da Ericeira, e Senhor da de Ancião, oitavo Senhor da Caza do Louriçal, Commendador das Commendas de Santa Christina de Sarzedello, de S. Cipriano de Angueira, S. Martinho de Frazão, S. Payo de Fragoas, de S. Pedro de Elvas, e de S. Bertholameu de Covilhã todas na Ordem de Christo. Academico da Academia Real da Historia Portugueza, e um dos cinco Censores della.
Meu Senhor aonde não chega a confiança propria, é necessario buscar o amparo alheio. É tão elevada a Magestade, que nem ainda obsequioso me atrevo a chegar a ella: e por esta cauza procuro o patrocinio de V. Excellencia para que com a sua pessoa consiga o que por mim não posso. Espero que V. Excellencia se digne de me fazer esta mercê, porque a continuação dos seus estudos, e a grande livraria que tem junto a sua erudição, justamente me desculpa para lhe pedir a protecção para um livro, que como de Historia da Patria precede a todos na lição, e porque sendo offerecido a Sua Magestade pela mão de V. Excellencia terá a acceitação que dezejo. Deus guarde a V. Excellencia muitos annos.
Criado de V. Excellencia
Miguel Lopes Ferreira
*AMIGO LEITOR*
Índice de conteúdo
Não me podes accuzar de falto de palavra, pois vês que te dou agora a Chronica del-Rei D. Affonso III que foi o Quinto Rei desta Monarchia. De serem breves as narrações das suas vidas, e summamente compendiadas as noticias dos seus governos, não tenho eu a culpa, tem-na os Chronistas que, ou não quizeram, ou não souberam. Tudo podia ser, porque a falta em semelhante materia procede umas vezes de não haver quem informe, e outras de não escreverem, o que todos sabem. Donde nasce que deste principio experimentamos o dano, porque desprezaram escrever o que era sabido, e desta sorte padecemos uma involuntaria ignorancia. Cazou este Principe em França donde esteve, e assistiu alguns annos, e sendo impossivel que não fizesse naquelle tempo acções dignas da sua pessoa, ou na paz, ou na guerra, tudo ficou sepultado em um profundo silencio, de que são reos os que escreveram primeiro. Ainda depois de nomeado Governador de Portugal, e ainda depois de ser Rei não houve aquelle cuidado nas penas dos Chronistas, que merecia a sua politica, que não foi nesta grande arte inferior aos maiores. Lê, e espera que brevemente te busque com a Chronica de seu filho o famoso Rei D. Diniz.
Vale.
LICENÇAS
Índice de conteúdo
DO
SANTO OFFICIO
Vistas as informações, pode-se imprimir a Chronica de que se trata, e depois de impressa tornará para se conferir, e dar licença que corra, sem a qual não correrá. Lisboa Occidental o primeiro de Outubro de 1726.
Fr. Lancastre. Cunha. Teixeira. Silva. Cabedo.
DO ORDINARIO
Vista a informação, pode-se imprimir a Chronica de que se trata, e depois de impressa tornará para se conferir, e dar licença que corra, sem a qual não correrá. Lisboa Occidental 4 de Outubro de 1726.
D. J. A. L.
DO PAÇO
Approvação do Doutor Manuel de Azevedo Soares, Cavalleiro professo na Ordem de Christo, do Dezembargo de Sua Magestade, Desembargador da Casa da Supplicacão, Juiz dos Contos do Reino, e Caza, Academico da Academia Real da Historia Portugueza, &c.
SENHOR
Esta Chronica del-Rei D. Affonso III que pertende imprimir Miguel Lopes Ferreira assás recomendação tinha em o nome de seu Author para facilitar a licença que se pede: porque sendo Ruy de Pina Chronista de tão grande opinião, por ella só, ficavam approvadas as suas obras, sendo superfluos todos os encomios com que justamente se podiam encarecer.[1] Não falta com tudo quem affirme que nem todas as obras, que se divulgam por suas, o são. E se em alguma póde ter lugar a conjectura de que o não seja, é esta uma dellas ao que parece; porque sem passar do Capitulo terceiro, se encontra uma inverosimilidade, certamente muito alhea do entendimento de tão grande homem. Diz que sabendo a Condessa de Bolonha Mathilde, que seu marido era obedecido por Rei pacificamente, e não sabendo nada do seu cazamento, confiando, que se elle a visse, a trataria, e honraria como sua verdadeira mulher, aprestara Naos, e que bem acompanhada, e com um filho, que se disse ter do dito seu marido, se embarcara para este Reino, e chegando a Cascaes donde soubera logo, que elle estava em Friellas, e cazado com outra mulher, recebendo grande indignação, e tristesa, arrependida de ter vindo, especialmente depois de saber da condição da segunda mulher, tomando parecer, mandára dous Cavalleiros principais dos que trazia comsigo, para que participassem a El-Rei a sua vinda, e a sua queixa; e pela reposta, que trouxeram, se voltara para França, deixando o filho, segundo diziam uns, e que por certa lembrança achara, o havia levado comsigo, e que depois o mandara a este Reino, com outras mais circumstancias, que se referem no dito Capitulo. Não reparo em que faça menção de filho, e nem ainda que a Condeça tomasse a resolução de vir a este Reino sem premeditar as contingencias do successo, como se foi assim, lhe mostrou a experiencia, porque muitos Historiadores seguiram aquella tradição com circumstancias mais inverosimeis; cujo erro se acha novamente refutado com demonstrações, e authoridades evidentes, pelo eruditissimo Academico o P. D. Joseph Barbosa.[2] Reparo sómente em que se diga, que a Condeça não sabia nada do cazamento de seu marido, porque demais de se affirmar o contrario por muitos Historiadores, sendo aquelle cazamento tão escandaloso, e sendo a grandeza dos delinquentes, a que mais vulgariza os seus delictos,[3] como é crivel o ignorasse a Condeça; e mais por ser entre pessoas de tão alta jerarquia; com instrumentos de dote publicos, e havendo tão pouca distancia para a noticia, como de Portugal a França. Quando ainda os segredos dos Principes, mais reconditos, estão sugeitos á infidilidade dos mesmos a que se confiam,[4] se obrigava a um tal excesso, o seu affecto, sendo deste inseparavel a desconfiança,[5] como é verosimil, se lhe ocultase a sua offensa.[6] Disto sem duvida se origina o pouco credito, que tem muitas historias, porque devendo ser a verdade o seu essencial fundamento,[7] notando-se-lhes algum erro em parte regularmente perdem a fé de todo.[8] E ainda que pelo Historiador a que foram commettidas as memorias deste Monarcha na Real Academia, que V. Magestade instituio para que resuscitassem na memoria dos seculos futuros, aquelles heroes, que sendo na vida esclarecidos, os escureceu a morte, sepultando-os nas tenebrosas urnas de um ingrato esquecimento[9] se restituirá de todo á verdade aquelle successo, conforme a empresa da mesma Academia: com tudo sendo na opinião de Santo Augustinho util que se publiquem livros repetidos sobre a mesma materia, com diversidade de estylo,[10] ainda me parece se póde conceder a licença, que se pede, sendo V. Magestade servido, porque sempre ficará illesa a fama do Author da Historia, na opinião dos que o conhecem, distinguindo na obra o que póde ser parto do seu entendimento. Lisboa Occidental 20 de Julho de 1727.
Manoel de Azevedo Soares.
Que se possa imprimir visto as licenças do Santo Officio, e Ordinario, e depois de impressa torne á mesa para se conferir, e taxar, e sem isso não correrá. Lisboa Occidental, 7 de Agosto de 1727.
Pereira. Oliveira. Teixeira.
[Nota de rodapé 1: Super vacanci laboris est laudare conspicuos. Symach.
I*. 3. Epistol. 48.]
[Nota de rodapé 2: Catalog. Chronolog. das Rainhas de Portugal á n. 241.]
[Nota de rodapé 3: Dum in imis est quispiam, ejus quodam modo vitia delitescunt; cum vero ad dignitatis culmen ascendit in superficiem mox erumpunt, et quæ fuerant catenus inaudita jam per ora rumigeruli populi trita vulgantur S. Petr. Damian. Epist. 20 ad Cadol. Qui magno imperio præditi, in excelso ætatem agunt, eorum facta cuncti mortales novere. Salust.]
[Nota de rodapé 4: Areana Regu ipsi predunt Satellites Gruterus.
Florileg. c. 2]
[Nota de rodapé 5: Vel alieni amoris æmulus, quod frequentissimum est in amore vitium. Guillielm. Castellus apud Textor. in Epithet.]
[Nota de rodapé 6: Ita Zelotipus in omnes ahorum gressus assiduo intentus totidem suspicionum umbras producit, quoties illos è loco moveri animadvertunt Picinel. mund. Symbol. 1. 16. n. 66.]
[Nota de rodapé 7: Non ostentationi, sed fidei, veritati que componitur Plinio Jun. 1. 6. Epist. 16. lux et evangelium veritatis Cassan. catal. glor. mund. p. 10. consid. 46.]
[Nota de rodapé 8: Et si per currantur horum historicora scripta, tacite reperiuntur multa falso ab eis conscripta, quot fit, ut falsus in uno, in cæteris fide perdant. Menoch. cos. 112. v. 71. Paris. consil. 23. n. 253.]
[Nota de rodapé 9: Historia reru que gestarum descriptio, tubæ clangor, quo jam olim mortui velut e sepulcro excitati, in mediu producuntur. Nicetas. Quia hoc quotidianu, et vulgare est, multi famosi in vita, et clari post obitu, sunt incogniti, et obscuri. Petraca de prosper. fortun. Dialog. 117.]
[Nota de rodapé 10: Utile esse plures libros a pluribus diverso stilo, de eisdem quæstionibus fieri, ut ad plurimos res ipsa perveniat ad alios quidem sic, ad alios vero sic. D. August. in quæstion. de Trinit. c. 3.]
Coronica do muito alto e esclarecido Principe D. Affonso III quinto Rei de Portugal
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