Buch lesen: "Amante de sonho - Algo mais do que seu chefe"

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Editado por Harlequin Ibérica.

Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

Núñez de Balboa, 56

28001 Madrid

© 2021 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

N.º 65 - Outubro 2021

© 2011 Susan Stephens

Amante de sonho

Título original: Ruthless Boss, Dream Baby

Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.

© 2013 Caitlin Crews

Algo mais do que seu chefe

Título original: Not Just the Boss’s Plaything

Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.

Estes títulos foram publicados originalmente em português em 2015 e 2014

Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial. Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), acontecimientos ou situações são pura coincidência.

® Harlequin e logótipo Harlequin são marcas registadas propriedades de Harlequin Enterprises Limited.

® e ™ são marcas registadas por Harlequin Enterprises Limited e suas filiais, utilizadas com licença. As marcas em que aparece ® estão registadas na Oficina Española de Patentes y Marcas e noutros países.

Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited. Todos os direitos estão reservados.

I.S.B.N.: 978-84-1105-063-0

Sumário

Página de título

Créditos

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Capítulo 11

Capítulo 12

Capítulo 13

Capítulo 14

Capítulo 15

Capítulo 16

Capítulo 17

Capítulo 18

Capítulo 19

Capítulo 20

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Capítulo 1

Magenta gritou, quando o motoqueiro travou a fundo.

– O que estás a fazer? – reclamou, furiosa.

O homem tirou o capacete e libertou o cabelo preto. Era o tipo de homem com quem uma mulher não quereria encontrar-se num dia infernal, quando parecia ter sido arrastada para um lamaçal. Era muito bonito, elegante e autoritário. E tinha tatuada a palavra «perigo».

– E então? – insistiu Magenta, num tom irado. – Conduzes sempre como um louco?

– Sempre – confirmou.

– Devia denunciar-te.

«E, certamente, vou fazê-lo», decidiu Magenta. Fá-lo-ia assim que solucionasse o furo no pneu e todas as outras coisas.

Como o assunto do pai, que decidira reformar-se e vender as suas ações a um desconhecido, sem lhe dizer uma única palavra. Como salvar os postos de trabalho dos colegas. Como querer regressar para junto da equipa, para a campanha de publicidade que retratava os anos sessenta.

– Importas-te? – perguntou, enquanto tentava contornar a moto. – Há quem trabalhe.

– É por isso que vais sair tão cedo do escritório?

– E desde quando é que o meu horário de trabalho é um assunto teu?

O desconhecido encolheu os ombros.

Magenta deu uma olhadela ao estacionamento. Onde estavam os guardas? Estivera a carregar o carro com trabalho para o fim de semana, embora não tencionasse explicar isso àquele tipo, que tinha ar de passar os fins de semana na cama. E não seria, precisamente, sozinho.

– Vais abandonar-me? – perguntou ele, quando tentou seguir o seu caminho.

– Estou a tentar afastar-me de ti – Magenta interrogou-se sobre o que faria no estacionamento da Steele Design. Seria um mensageiro? – Trazes uma encomenda?

O sorriso dele fez com que corasse. Parecia ter a mesma idade que ela, talvez um ou dois anos mais velho, mas nos olhos refletia-se uma experiência imensamente superior.

– Se não vieste entregar nada, informo que esta é propriedade privada.

Ele arqueou a sobrancelha.

Fantástico. Era evidente que estava impressionado com o facto de ela dominar a situação.

A confiança do motoqueiro começava a irritá-la.

Magenta afastou-se, mas ouviu aquela voz calorosa e sensual atrás dela.

– O que há de tão urgente, para que não possas ficar e conversar comigo uns minutos?

– Não é que seja um assunto teu – deteve-se e virou-se, – mas vou buscar a roupa do ginásio, antes de mudar o pneu furado do meu carro.

– Queres ajuda?

– Não.

Talvez devesse ter agradecido a oferta.

O desconhecido voltou a pôr o capacete e pôs a moto a trabalhar.

– Vais-te embora? – balbuciou, desejando que ficasse.

Porque estava a afugentar aquele homem, quando era o mais interessante que lhe acontecera, em muito tempo? Porque o seu bom senso a aconselhava a não prolongar o encontro. Magenta retomou o seu caminho. No entanto, em vez de se ir embora, ele acompanhou-a, mantendo a moto ao seu lado.

– Ainda não te foste embora?

– Estou à espera, para te ver vestida com a roupa do ginásio – e sorriu.

Magenta soprou, enquanto tentava analisar aquele tipo. Vestia-se de maneira excessivamente informal para um executivo e a voz era suave, gutural, com um sotaque que não conseguia decifrar.

– Se quiseres, posso levar-te.

«Aposto que podes», pensou. Um rosto e um corpo como aquele, poderiam levar qualquer mulher.

– És uma mulher muito tensa. Nunca relaxas?

Estava a brincar? Era incapaz de pensar em relaxar, com ele por perto.

– O meu carro está empanado. Que motivos teria para relaxar?

– Já te disse que adoraria levar-te.

– Nunca me deixo levar por um desconhecido – embora o achasse mais do que atraente.

– Uma decisão sábia – afirmou, com calma, sem parar de a seguir.

– Nunca te rendes?

– Nunca.

Magenta dirigiu-se para a entrada lateral, para os cacifos dos empregados, onde guardava a roupa do ginásio. Tinha vontade de fechar a porta na cara dele. Contudo, nesse instante, ele acelerou e foi-se embora.

Enquanto observava o relâmpago preto que se afastava, sentiu uma certa melancolia.

Acabara de estragar tudo, mas não fazia sentido lamentar essa oportunidade perdida.

Detetara algo especial naquele homem, uma certa ligação entre eles? Ou talvez fossem apenas os devaneios de uma mente cansada. Decididamente, seria a segunda hipótese.

Além disso, se quisesse, podia ter insistido em mudar o pneu.

O que acontecera ao cavalheirismo? Mulheres como ela, fora isso que acontecera. Mulheres que consideravam a igualdade um direito, que protestavam, se um homem as ajudasse.

Depois de vestir a roupa do ginásio, um casaco e um cachecol, voltou para o carro.

Não tinha um pneu sobressalente!

Incrédula, observou o espaço vazio e recordou vagamente o pai a dizer alguma coisa sobre um furo, há alguns meses. Tinham carros idênticos, algo que Magenta achara muito fofo, no momento. O pai devia ter dito ao mecânico para usar o pneu do carro da filha e depois esquecera-se de pedir para o substituírem.

Mas a culpa era dela, por não ter verificado.

A empresa desmoronava à sua volta e talvez não encontrasse outro trabalho até depois do Natal. E ali estava ela, a chorar por causa de um furo. Apoiando as costas no carro, fechou os olhos e esperou que as lágrimas cessassem. Por fim, depois de se convencer de que não servia de nada preocupar-se com algo que não tinha remédio, decidiu voltar para o escritório, para se aquecer um pouco e chamar um táxi. Também poderia ir de metro.

No escritório, encontrou o pai, disposto a ir-se embora, para assinar a venda das ações.

– Pensei que já tinhas ido embora – Clifford Steele parecia contrariado. – Não quero ninguém da família por aqui, até aquele homem se instalar e ter o dinheiro na minha conta. São as regras.

– E eu estava a obedecer. Mas descobri que o meu carro tem um pneu furado. E, adivinha? – acrescentou Magenta, secamente. – Não tenho o pneu sobressalente.

– Chama um táxi – aconselhou o pai, sem o menor vislumbre de remorsos. – Eu não posso ficar – afirmou. – Vou-me embora, para assinar os últimos papéis. Vai-te embora o quanto antes, para o caso de Quinn querer dar uma olhadela à sua última aquisição.

Magenta percebeu uma nota de ressentimento nas palavras do pai e beijou-o na face. Não devia ter sido fácil vender a empresa a um jovem com mais sucesso do que ele. Clifford Steele era um tirano e as suas extravagâncias tinham acabado com a empresa. Mas, era o seu pai e amava-o. E teria de solucionar aquela confusão, para tentar salvar o posto de trabalho dos colegas, no caso de o novo dono o permitir.

«Talvez Gray Quinn não deseje manter-me no meu cargo», compreendeu, angustiada. Graças à ideia antiquada do pai, de que os homens deviam gerir as empresas e que os tijolos davam segurança às mulheres, ela era a dona do edifício, mas não possuía uma única ação.

– Visto que continuas aqui, faz algo útil – pediu o pai. – Tenho a certeza de que os homens quererão beber uma chávena de café, antes de te ires embora. Tudo bem, és uma executiva – acrescentou, ao ver o ar de impaciência da filha. – Mas ninguém faz um café como...

– Uma mulher bem-educada – sugeriu ela, com descaramento.

– Ia dizer como tu. Trabalhas muito, Magenta. O stress não é bom para uma mulher da tua idade – observou, com o seu tato habitual. – Se não te cuidares, vais ficar com rugas.

– Sim, papá – o pai parecia recém-saído da campanha dos anos sessenta. – As coisas são assim. Tu és assim – acrescentou, com carinho.

– Vou dar-te um conselho, Magenta – o pai ainda não acabara. – Embora duvide que me oiças. Devias tornar-te invisível, até o novo dono se instalar. Quinn perderá o interesse depressa e deixará a empresa a cargo da velha guarda.

– Adeus, papá!

Perder o interesse? Isso não parecia próprio de Gray Quinn, a julgar pelo que lera sobre ele. A imprensa do ramo financeiro costumava descrevê-lo como sendo dinâmico, frio sob pressão, para além de desumano e duro. E era quase invisível. No caso de existir uma fotografia daquele homem, Gray Quinn conseguira mantê-la fora do alcance do público. Magenta temia pelos colegas. Se tencionasse começar do zero, poderia despedir todos. E se esmagasse a faísca criativa dos empregados, a empresa iria à falência, na mesma.

Se tivesse de hipotecar a casa, para criar outra empresa e fazer com que todos conservassem os seus postos de trabalho, fá-lo-ia. Olhando pela janela, deu por si a pensar no motoqueiro.

Magenta soprou. Tinha jeito para os negócios mas, no que dizia respeito aos homens, era um verdadeiro fracasso. Os temas de conversa não eram os mais adequados, nem o seu aspeto. E o tipo da moto, sem dúvida, devia ter notado que há séculos que não saía com um homem. Parecia ser perito em mulheres. Sorrindo, aproximou-se da secretária, para chamar um táxi.

Não haveria táxis disponíveis durante, pelo menos, uma hora. A neve e as compras natalícias eram as culpadas da escassez de veículos.

Só lhe restava o metro.

Depois de ligar para a oficina, para que alguém fosse buscar o seu carro, fez café para a sua equipa. Faltava muito pouco tempo para as férias e queria que todos se sentissem tranquilos sobre o lançamento da campanha publicitária do Ano Novo, antes de se ir embora.

Tinha de ser positiva, pelo bem da equipa. E não podia deixá-los perceber como estava preocupada. Ainda não chegara o fim da Steele Design, era apenas um novo começo.

– Por enquanto, vou trabalhar em minha casa.

– Não podes ir embora na semana antes do Natal! – protestou Tess, o braço direito de Magenta.

– Estarei sempre em contacto com vocês.

– Não será o mesmo – insistiu outra mulher. – E, a festa de Natal?

– Há coisas mais importantes, como conservar os nossos postos de trabalho – replicou Magenta. – Além disso, porque não a organizas?

– Porque tu tens a magia – Tess continuou com os seus protestos.

– Estaremos em contacto, diariamente. Só não estarei no meu escritório, onde talvez represente uma ameaça para Quinn – acrescentou, com uma certa malícia. – Sei que sou assustadora.

Todos riram e ela decidiu levar a conversa para o campo dos negócios.

– São uma equipa fantástica e é essencial que Quinn veja o melhor de vocês. De modo que quero que se esqueçam de mim e se concentrem, para causarem uma boa impressão.

– Esquecer? – perguntou Tess. – Como vamos fazê-lo, se não nos deste uma ideia para a festa?

– Alegra-me saber que posso ser útil – troçou Magenta, secamente. – Que seja algo simples. Que tal, algo relacionado com os anos sessenta?

– Brilhante – assentiu Tess. – Ficarás fantástica com um vestido de papel.

– Eh... Eu não irei à festa, este ano.

– Que tolice! O que é uma festa, sem ti?

– Um evento bastante mais divertido, suponho – Magenta recordou a explosão do ano anterior, quando achara que os homens estavam a começar a abusar.

– Dou-te vinte e quatro horas para voltares – vaticinou Tess. – Estão a acontecer demasiadas coisas, para te manteres afastada. Além disso – murmurou, enquanto levava a chefe para um canto, – há algo mais. Esta manhã, notei algo diferente em ti.

– Não sei a que te referes.

– Claro! – exclamou. – Ficaste à defesa. Conheceste alguém?

– Não sejas ridícula! Só estou preocupada com o futuro da empresa.

– Não – Tess abanou a cabeça. – Há algo mais. Algo que não estás a contar-me.

«Talvez as faces coradas me tenham denunciado», pensou Magenta.

– Não tens de te envergonhar, se conheceste alguém de quem gostas – insistiu Tess.

– Não conheci ninguém! – protestou, talvez com ardor excessivo.

Capítulo 2

– Sei como estás preocupada com a empresa e com aquilo que acontecerá, ao chegar o novo dono – apressou-se a dizer Tess. – Mas, tens direito a ter uma vida, Magenta. Precisas de viver a tua vida.

– Está bem – Magenta fez uma pausa. – Vai parecer ridículo...

– Tenta.

Como ia explicar a excitação que sentia, até mesmo a suspeita de ter conhecido a sua alma gémea? O motoqueiro aparecera no pior momento possível e, mesmo assim, conseguira fazer com que o sol brilhasse naquele dia, naquele estacionamento gelado. Era a sua grande oportunidade!

– Esta manhã, havia um tipo no estacionamento – uma grande oportunidade, que estragara.

– Eu sabia.

– Cala-te! – Magenta olhou à sua volta, mas ninguém parecia estar a ouvir. – Não aconteceu nada. Era muito atraente, mas não era o meu tipo e não pareceu remotamente interessado em mim.

– Mas estás emocionada.

– Certamente, causou-me um certo efeito.

– Fez com que sentisses um formigueiro na pele. Fez-te sentir viva.

– Que romântica, Tess. Na verdade, deixou-me furiosa.

– Não me digas que gritaste com ele! – Tess franziu o sobrolho.

– Deixei algumas coisas bem claras, sim.

– E, como reagiu?

– Gozou comigo.

– Isso é fantástico! – exclamou Tess. – Que belo começo!

– Não houve nenhum começo, foi apenas um episódio isolado.

– Um episódio que terá as suas sequelas.

– Este não, Tess.

– Talvez volte. Depois de te ter visto, como poderá resistir? Quando um homem partilha gargalhadas com uma rapariga, é o começo da intimidade.

– A sério?

– Onde estiveste, durante todos estes anos?

– Passada a febre dos caçadores de fortunas, os pretendentes perderam o interesse – admitiu Magenta.

– Mas, só porque tu os espantaste.

– Nenhum deles valia a pena.

– E este tipo?

– Talvez, mas nunca me escolheria.

– Porquê? Qual é o problema?

– Não vale a pena pensar nisso – replicou Magenta, com amargura. – Foi apenas um encontro fortuito, em que fiz uma figura ridícula por causa do meu cansaço, vulnerabilidade e...

– Falta de confiança quanto às relações amorosas – interrompeu Tess. – Promete uma coisa, Magenta, se voltares a encontrar-te com ele, não grites. Tenta sorrir.

– Vamos – Magenta voltou para junto do resto da equipa. – Tenho de concluir esta reunião antes de o poderoso Quinn aparecer e o meu pai deixar de falar comigo, para sempre. Está tudo bem claro? – dirigiu-se aos outros colegas. – Todos gostam do tema para a festa?

– Podemos usar a roupa da campanha como fantasia?

– Sim, claro.

Magenta alegrou-se com a boa aceitação da sua ideia. A equipa estava muito preocupada com as possíveis mudanças que o novo dono poderia introduzir e o tema da festa permitia-lhes pensar noutra coisa, durante um instante.

– Ainda não consigo acreditar que não estarás aqui, quando chegar o novo patrão – observou Tess.

– Dou-te esse prazer. Conta – disse Magenta, ao ver o ar de Tess. – Tens um mexerico sobre esse tipo. Conta-me.

– Raparigas! – gritou a jovem, para o resto da equipa. – Alguém quer iluminar esta pobre ingénua sobre o nosso novo patrão ou faço-o eu?

Ninguém se atreveu a privar Tess desse prazer.

– Chamam-lhe «Poderoso Quinn» porque, segundo a imprensa, Gray Quinn não é apenas bem dotado para os negócios. Não sei se me estou a explicar bem.

– Mas, ninguém o conhece – Magenta fingiu-se espantada. – Ninguém o viu. Como sabem?

– Vá lá! – protestou a amiga. – Não me digas que não gostarias de ter um pouco de mistério na tua vida. E, se for bem feito...

– Tess, isto é um local de trabalho – Magenta não pôde conter uma gargalhada. – Bom, talvez tenha de procurar um disfarce, com calças justas.

– Sabia que não nos irias abandonar – declarou Tess, triunfante. – Não consegues resistir a vê-lo.

Magenta sentiu um calafrio. Não era uma rapariga experiente como Tess e, se Quinn era um sedutor, seria melhor não ficar para o ver.

– Olha para isto – a amiga mostrou-lhe uma revista. – E agora, diz-me que não estarás no escritório, quando Quinn tomar posse.

– Não se vê grande coisa! – protestou Magenta, embora o seu corpo reagisse de uma maneira estranha, diante daquela foto que mostrava as costas de um homem. O que tinha de excitante?

Era evidente que Quinn parecia ter pressa. Ao estudar a fotografia mais de perto, sentiu uma sacudidela, uma coisa totalmente inapropriada para uma mulher com tão escassa experiência sexual. A estatura daquele homem, a envergadura, a pose, tudo era atraente. Quinn era diferente da maioria dos homens. Poderoso, exsudava segurança, como se estivesse pronto para qualquer coisa. Parecia ser o tipo de homem capaz de inspirar confiança nos outros.

Contudo, aquele homem nem sequer se dignaria a olhar para ela. Havia muitas raparigas bonitas e algumas trabalhavam na Steele Design. Porque haveria de reparar numa solteirona como ela?

Só lhe faltava ter um homem como aquele na sua vida complicada!

– O que sabes de Quinn, Magenta? – perguntou uma das raparigas. – Fizeste muitas investigações sobre ele, quando começaste a preparar o projeto para o interessar pela Steele Design.

– É verdade – confirmou Magenta, – mas não consegui encontrar uma única fotografia decente. Surpreende-me que Tess tenha encontrado esta – voltou a observar a revista. – Não gosta da fama e não é de estranhar, a julgar pelos mexericos que se ouvem sobre ele. Um homem como esse deve valorizar muito a sua privacidade. A única coisa que sei é que ele ficou órfão quando ainda era criança, que alcançou o sucesso sozinho, mas pouco mais. Ah, sei que não gosta de tontos.

– Não gosta mesmo nada – avisou Tess.

– Por isso, têm de dar o máximo, mesmo que não esteja presente – insistiu Magenta, enquanto apanhava o cabelo comprido num coque informal, que prendeu com um gancho. – Se Quinn não me despedir, voltarei no começo do ano que vem, quando fizermos a nossa apresentação final como equipa.

– Despedir-te? – Tess fez uma careta. – Não me lembro de ter lido que é louco.

– Talvez não queira ter um membro da velha guarda, como o meu pai nos chama, a trabalhar para ele. Vou deixar-vos alguns documentos. Certifica-te de que lhos dás. Podes fazê-lo, Tess?

– Claro... – a amiga abanou a cabeça, preocupada. – Tens mesmo de te ir embora?

– Não quero pôr em perigo o acordo do meu pai.

– Bom, não terás de te preocupar com os documentos. Vou encarregar-me de lhos entregar.

– Obrigada – Magenta virou-se, com a intenção de se ir embora.

– Se mudares de ideias sobre a festa...

– Oxalá pudesse.

A festa de Natal era muito importante, mas não tão importante como fazer com que a sua equipa conservasse o trabalho. A última coisa que desejava era ofender Quinn ou fazê-lo pensar que tentava dividir os empregados. Esperava ter feito um bom trabalho de persuasão, no relatório que dera a Tess. E, para acrescentar um pouco de peso a essa esperança, esboçara a nova campanha, baseada em produtos que sabia que Quinn estava interessado em promover.

– Não podes deixar-nos – insistiu Tess. – És a alma da equipa.

– Farão tudo muito bem, sem mim. E, de todos os modos, ainda não me fui embora. Vejamos como correm as coisas. Quinn não é estúpido. Continuem a trabalhar como até agora e não poderá queixar-se.

A promessa feita ao pai tinha um grande peso, mas sentia-se mal, ao deixar os colegas. Talvez Tess tivesse razão e não fosse capaz de se manter afastada.

Regressou ao estacionamento e encontrou-o ocupado por um reboque, com as luzes cintilantes acesas.

«Porque é que nada corre bem?», questionou-se, enquanto os mecânicos lhe explicavam que, como era um carro antigo, teriam de encomendar um pneu novo. Iam levar o carro para a oficina, onde ficaria até depois do Natal.

Puxando o colarinho do casaco, para se proteger do vento gélido, Magenta observou como o carro era levado pelo reboque. Prestes a ir-se embora, o barulho familiar de um motor, seguido de uma travagem, fê-la franzir o sobrolho.

– Não digas mais nada – Magenta virou-se para o motoqueiro. – Não conseguiste atropelar-me da primeira vez e voltaste para ver se, à segunda, consegues fazer com que morra com um enfarte.

– O teu coração está a salvo.

Ah...!

Porque sentia aquele desgosto? O motoqueiro elevou a sobrancelha e uma onda de calor invadiu o corpo de Magenta. Depois, tirou uma luva e ofereceu-lhe a mão.

– Suponho que não esperas que te aperte a mão, depois de me teres pregado um susto de morte. E não uma vez, mas duas.

– Tenho a certeza de que não és assim tão frágil – e sorriu. – Mas peço desculpa, se te assustei.

A brincadeira implícita nas suas palavras deixou Magenta furiosa. O que achava tão divertido?

– Algo me diz que vamos ver-nos muito com frequência – concluiu, cobrindo os dedos gelados de Magenta com a mão quente.

«Sim, claro. Nos teus sonhos», pensou ela.