Buch lesen: "Poesias"

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A. A. Soares de Passos

Poesias


Publicado pela Editora Good Press, 2022

goodpress@okpublishing.info

EAN 4064066411978

Índice de conteúdo

POESIAS

POR A. A. SOARES DE PASSOS

A CAMÕES

O OUTOMNO

O NOIVADO DO SEPULCHRO

DESEJO

BOABDIL

CANÇÃO

Á PATRIA

(1852)

ROSA BRANCA

ENFADO

ANHELOS

O FILHO MORTO

SOCRATES

A***

ULTIMOS MOMENTOS DE ALBUQUERQUE

A TI

INFANCIA E MORTE

O CANTO DO LIVRE

SAUDADE

AMOR E ETERNIDADE

O ESCRAVO

O ANJO DA HUMANIDADE

PARTIDA

CANTO DE PRIMAVERA

CATÃO

IMITAÇÃO DO ISLANDEZ

Á MORTE

O MENDIGO

A VIDA

DESENGANO

AGAR

MARIA, A CEIFEIRA

O FIRMAMENTO

TRISTEZA

A MÃE E A FILHA

O MOSTEIRO DA BATALHA

DESALENTO

CONSOLAÇÃO

O BUSSACO

A FONTE DOS AMORES

A UM THEATRO ACADEMICO

N'UM ALBUM

VISÃO DO RESGATE

VERSÕES D'OSSIAN

AO SOL

COLMA

FINGAL



POESIAS

Índice de conteúdo

POR
A. A. SOARES DE PASSOS

Índice de conteúdo

QUINTA EDIÇÃO




PORTO EM CASA DE CRUZ COUTINHO--EDITOR Caldeireiros, 18 e 20 1870


TYPOGRAPHIA DO JORNAL DO PORTO
Rua Ferreira Borges, 31


A CAMÕES

Índice de conteúdo

Ai do que a sorte assignalou no berço

Inspirado cantor, rei da harmonia!

Ai do que Deus ás gerações envia

Dizendo: vae, padece, é teu fadario,

Como um astro brilhante o mundo o admira,

Mas não vê que essa chamma abrazadora

Que o cerca d'esplendor, tambem devora

Seu peito solitario.

Pairar nos céos em alteroso adejo,

Buscando amor, e vida, e luz, e glorias,

E vêr passar quaes sombras illusorias

Essas imagens de fulgor divino:

Taes são vossos destinos, ó poetas,

Almas de fogo que um vil mundo encerra;

Tal foi, grande Camões, tal foi na terra

Teu misero destino.

A cruz levaste desde o berço á campa:

Esgotaste a amargura até ás fezes:

Parece que a fortuna em seus revezes

Te mediu pelo genio a desventura.

Combateste com ella como o cedro

Que provoca o rancor da tempestade,

Mas cuja inabalavel magestade

Lhe resiste segura.

Foste grande na dôr como na lyra!

Quem soube mais soffrer, quem soffreu tanto?

Um anjo viste de celeste encanto,

E aos pés cahiste da visão querida...

Engano! foi um astro passageiro,

Foi uma flôr de perfumado alento

Que ao longe te sorriu, mas que sedento

Jámais colheste em vida.

Sob a couraça que cingiste ao peito

Do peito ancioso suffocaste a chamma,

E foste ao longe procurar a fama,

Talvez, quem sabe? procurar a morte.

Mas, qual onda que o naufrago arremessa

Sobre inhospita praia sem guarida,

A morte crua te arrojou á vida,

E ás injurias da sorte.

De praia em praia divagando incerto

Tuas desditas ensinaste ao mundo:

A terra, os homens, té o mar profundo

Conspirados achavas em teu damno.

Ave canora em solidão gemendo,

Tiveste o genio por algoz ferino:

Teu alento immortal era divino,

Perdeste em ser humano:

Indicos valles, solidões do Ganges,

E tu, ó gruta de Macau, sombria,

Vós lhe ouvistes as queixas, e a harmonia

D'esses hymnos que o tempo não consome.

Foi lá, n'essa rocha solitaria,

Que o vate desterrado e perseguido,

Á patria ingrata, que lhe dera o olvido,

Deu eterno renome.

«Cantemos!» disse, e triumphou da sorte.

«Cantemos!» disse, e recordando glorias,

Sobre o mesmo theatro das victorias,

Bardo guerreiro, levantou seus hymnos.

Os desastres da patria, a sua quéda

Temendo já no meditar profundo,

Quiz dar-lhe a voz do cysne moribundo

Em seus cantos divinos.

E que sentidos cantos! d'Ignez triste

Se ouve mais triste o derradeiro alento,

Ensinando o que póde o sentimento

Quando um seio que amou d'amores canta;

No brado heroico da guerreira tuba

O valor portuguez sôa tremendo,

E o fero Adamastor com gesto horrendo

Inda hoje o mundo espanta!

Mas ai! a patria não lhe ouvia o canto!

Da patria e do cantor findava a sorte:

Aos dous juraram perdição e morte,

E os dous juntaram na mansão funerea...

Ingratos! ao que alçando a voz do genio

Além dos astros nos erguera um solio,

Decretaram por louro e capitolio

O leito da miseria!

Ninguem o pranto lhe enxugou piedoso...

Valeu-lhe o seu escravo, o seu amigo:

«Dae esmola a Camões, dae-lhe um abrigo!»

Dizia o triste a mendigar confuso!

Homero, Ovidio, Tasso, estranhos cysnes,

Vós que sorvestes do infortunio a taça,

Vinde depôr as c'rôas da desgraça

Aos pés do cysne luso!

Mas não tardava o derradeiro instante...

O raio ardente que fulmina a rocha,

Tambem a flôr que n'ella desabrocha,

Cresta, passando, co'as ethereas lavas:

Que scena! em quanto ao longe a patria exangue

Aos alfanges mouriscos dava o peito,

De misero hospital n'um pobre leito,

Camões, tu expiravas!

Oh! quem me dera d'esse leito á beira

Sondar teu grande espirito n'essa hora,

Por saber, quando a mágoa nos devora,

Que dôr póde conter um peito humano;

Palpar teu seio, e n'esse estreito espaço

Sentir a immensidade do tormento,

Combatendo-te n'alma, como o vento

Nas ondas do oceano!

O amor da patria, a ingratidão dos homens,

Natercia, a gloria, as illusões passadas,

Entre as sombras da morte debuxadas,

Em teu pallido rosto já pendido;

E a patria, oh! e a patria que exaltáras

N'essas canções d'inspiração profunda,

Exhalando comtigo moribunda

Seu ultimo gemido!

Expirou! como o nauta destemido,

Vendo a procella que o navio alaga,

E ouvindo em roda no bramir da vaga

D'horrenda morte o funeral presagio,

Aos entes corre que adorou na vida,

Em seguro baixel os põe a nado,

E esquecido de si morre abraçado

Aos restos do naufragio:

Assim, da patria que baixava á tumba,

Em cantos immortaes salvando a gloria,

E entregando-a dos tempos á memoria,

Como em gigante pedestal segura:

«Patria querida, morreremos juntos!»

Murmurou em accento funerario,

E envolvido da patria no sudario

Baixou á sepultura.

Quebrando a louza do feral jazigo,

Portugal resurgiu, vingando a affronta,

E inda hoje ao mundo sua gloria aponta

Dos cantos de Camões no eterno brado;

Mas do vate immortal as frias cinzas

Esquecidas deixou na sepultura,

E o estrangeiro que passa em vão procura

Seu tumulo ignorado.

Nenhuma pedra ou inscripção ligeira

Recorda o gran cantor... porém calemos!

Silencio! do immortal não profanemos

Com tributos mortaes a alta memoria.

Camões, grande Camões, foste poeta!

Eu sei que tua sombra nos perdôa:

Que valem mausoléus ante a corôa

De tua eterna gloria?

O OUTOMNO

Índice de conteúdo

Eis já do livido outomno

Pesa o manto nas florestas;

Cessaram as brandas festas

Da natureza louçã.

Tudo aguarda o frio inverno;

Já não ha cantos suaves

Do montanhez, e das aves,

Saudando a luz da manhã.



Tudo é triste! os verdes montes

Vão perdendo os seus matizes,

As veigas os dons felizes,

Thesoiro dos seus casaes;

Dos crestados arvoredos

A folha sêcca e myrrhada,

Cahe ao sôpro da rajada,

Que annuncia os vendavaes.

Tudo é triste! e o seio triste

Comprime-se a este aspecto;

Não sei que pezar secreto

Nos enluta o coração.

É que nos lembra o passado

Cheio de viço e frescura,

E o presente sem verdura

Como a folhagem do chão.



Lembra-nos cada esperança

Pelo tempo emmurchecida,

Mil aureos sonhos da vida

Desfeitos, murchos tambem;

Lembram-nos crenças fagueiras

Da innocencia d'outra idade,

Mortas á luz da verdade,

Creadas por nossa mãe.



Lembram-nos doces thesoiros

Que tivemos, e não temos;

Os amigos que perdemos,

A alegria que passou;

Lembram-nos dias da infancia,

Lembram-nos ternos amores,

Lembram-nos todas as flôres

Que o tempo á vida arrancou.

E depois assoma o inverno,

Que lembra o gêlo da morte,

Das amarguras da sorte

Ultima gota fatal...

É por isso que estes dias

Da natureza cadente,

Brilham n'alma tristemente

Como um cyrio funeral.



Mas animo! após a quadra

De nuvens e de tristeza,

Despe o luto a natureza,

Revive cheia de luz:

Após o inverno sombrio,

Vem a florea primavera,

Que novos encantos gera,

Nova alegria produz.



Os arvoredos despidos

Se revestem de folhagem;

Ao sôpro da branda aragem

Rebenta no campo a flôr;

Tudo ao vêl-a se engrinalda,

Tudo se cobre de relva,

E as avesinhas na selva

Lhe cantam hymnos d'amor.

Animo pois! como á terra,

Tambem á nua existencia,

Vem, após a decadencia,

Ás vezes tempo feliz;

E a vida gelada, esteril,

Que o sôpro da morte abala,

Desperta cheia de gala,

Cheia de novo matiz.



Animo pois! e se acaso

Nosso destino inclemente,

Em vez de jardim florente,

Nos aponta o mausoléo;

Se a primavera do mundo

Já morreu, já não se alcança,

Tenhamos inda esperança

Na primavera do céo!

O NOIVADO DO SEPULCHRO

Índice de conteúdo

BALLADA

Vae alta a lua! na mansão da morte

Já meia noite com vagar soou;

Que paz tranquilla! dos vaivens da sorte

Só tem descanço quem alli baixou.



Que paz tranquilla!... mas eis longe, ao longe

Funerea campa com fragor rangeu;

Branco phantasma, semelhando um monge,

D'entre os sepulchros a cabeça ergueu.



Ergueu-se, ergueu-se!... na amplidão celeste

Campeia a lua com sinistra luz;

O vento geme no feral cypreste,

O mocho pia na marmorea cruz.



Ergueu-se, ergueu-se! com sombrio espanto

Olhou em roda... não achou ninguem...

Por entre as campas, arrastando o manto,

Com lentos passos caminhou além.

Chegando perto d'uma cruz alçada,

Que entre os cyprestes alvejava ao fim,

Parou, sentou-se, e com a voz magoada

Os eccos tristes acordou assim:



«Mulher formosa que adorei na vida,

«E que na tumba não cessei d'amar,

«Porque atraiçôas desleal, mentida,

«O amor eterno que te ouvi jurar?



«Amor! engano que na campa finda,

«Que a morte despe da illusão fallaz:

«Quem d'entre os vivos se lembrára ainda

«Do pobre morto que na terra jaz?



«Abandonado n'este chão repousa

«Ha já tres dias, e não vens aqui...

«Ai quão pesada me tem sido a lousa

«Sobre este peito que bateu por ti!



«Ai quão pesada me tem sido!» e em meio,

A fronte exhausta lhe pendeu na mão,

E entre soluços arrancou do seio

Fundo suspiro de cruel paixão.



«Talvez que rindo dos protestos nossos,

«Goses com outro d'infernal prazer;

«E o olvido, o olvido cobrirá meus ossos

«Na fria terra, sem vingança ter!

--«Oh nunca, nunca!» de saudade infinda

Responde um ecco suspirando além...

«Oh nunca, nunca!» repetiu ainda

Formosa virgem que em seus braços tem.



Cobrem-lhe as fórmas divinaes, airosas,

Longas roupagens de nevada côr;

Singela c'rôa de virgineas rosas

Lhe cerca a fronte d'um mortal pallor.



«Não, não perdeste meu amor jurado:

«Vês este peito? reina a morte aqui...

«É já sem forças, ai de mim, gelado,

«Mas inda pulsa com amor por ti.



«Feliz que pude acompanhar-te ao fundo

«Da sepultura, succumbindo á dôr:

«Deixei a vida... que importava o mundo,

«O mundo em trevas sem a luz do amor?



«Saudosa ao longe vês no céo a lua?

--«Oh vejo, sim... recordação fatal!

--«Foi á luz d'ella que jurei ser tua,

«Durante a vida, e na mansão final.



«Oh vem! se nunca te cingi ao peito,

«Hoje o sepulchro nos reune emfim...

«Quero o repouso do teu frio leito,

«Quero-te unido para sempre a mim!»

E ao som dos pios do cantor funereo,

E á luz da lua de sinistro alvor,

Junto ao cruzeiro, sepulchral mysterio

Foi celebrado, d'infeliz amor.



Quando risonho despontava o dia,

Já d'esse drama nada havia então,

Mais que uma tumba funeral vazia,

Quebrada a lousa por ignota mão.



Porém mais tarde, quando foi volvido

Das sepulturas o gelado pó,

Dous esqueletos, um ao outro unido,

Foram achados n'um sepulchro só.

DESEJO

Índice de conteúdo

Oh! quem nos teus braços podéra ditoso

No mundo viver,

Do mundo esquecido no languido goso

D'infindo prazer.

Sentir os teus olhos serenos, em calma,

Fallando d'além,

D'além! d'uma vida que sonha minha alma

Que a terra não tem.

Eu dera este mundo, com tudo o que encerra,

Por tal galardão:

Thesouros, e glorias, os thronos da terra,

Que valem, que são?

A sêde que eu tenho não morre apagada

Com tal aridez:

Podésse eu ganhal-os, e iria seu nada

Depôr a teus pés.

E só desejando mais doce victoria,

Dizer-te: eis-aqui

Meu sceptro e sciencia, thesouros e gloria:

Ganhei-os por ti.

A vida, essa mesma daria contente,

Sem pena, sem dôr,

Se um dia embalasses, um dia sómente,

Meu sonho d'amor.

Isenta do laço que ao mundo nos prende,

A vida que val?

A vida é só vida se o amor n'ella accende

Seu doce fanal.

Aos mundos que eu sonho podésse eu comtigo,

Voando, subir;

Depois, que importava? depois no jazigo

Sorrira ao cahir.

BOABDIL

Índice de conteúdo

ULTIMO REI MOURO DE GRANADA

De Granada nas torres já se ergue

O pendão de Castella temido;

Boabdil, o rei mouro vencido,

Deixa a terra em que ha pouco reinou.

Do Padul ás alturas chegado,

Fez parar o seu timido bando,

E o corcel andaluz volteando

Taes adeuses á patria mandou:



«Ai Granada, lá ficas entregue

«Para sempre aos guerreiros de Christo!

«Quem teus fados houvera previsto,

«Ó sultana de tanto poder?

«Acabou-se o dominio dos crentes

«N'este solo tão bello de Hespanha;

«Não ha força de heroica façanha

«Que nos possa das ruinas erguer.

«De Toledo, de Cordova, e Murcia,

«De Jaên, de Baêza, e Sevilha,

«Eras tu, ó gentil maravilha,

«Que inda as glorias fazias lembrar.

«E perdemos-te, ó flôr do occidente,

«Do Xenil ó princeza formosa!

«E curvamos a fronte orgulhosa

«Nós, os filhos valentes d'Agar!



«Deus o quiz! nossa raça punindo

«Fez baixar o seu anjo da morte,

«E das iras d'Allah no transporte

«Baqueou nossa altiva nação!

«Nossos odios civis nos perderam,

«N'este abysmo fatal nos lançaram,

«E nem mesmo o valor nos deixaram

«De morrermos com nosso pendão.



«Ó guerreiros das eras passadas,

«Vencedores da Hespanha descrida,

«Lá n'esse eden feliz da outra vida,

«Vossas faces cobri de rubor!

«Este braço que ousou vossos louros

«Arrastar ante os pés de Fernando,

«Não ousou n'este peito nefando

«Embeber um punhal vingador!

«Deshonrado, do throno banido,

«Que me resta por sorte futura?

«Uma vida cobarde e obscura

«No paiz em que outr'ora fui rei...

«Nunca, nunca! o destino contrario

«D'além-mar nosso berço me aponta:

«Lá irei resgatar-me da affronta,

«Lá dos bravos a morte haverei.



«Para sempre adeus pois, ó Granada!

«Adeus, muros, e torres vermelhas

«Que brilhaes como vivas centelhas

«Nas verduras de tanto jardim!

«Adeus, paços e fontes d'Alhambra!

«Adeus, altas, soberbas mesquitas!

«E vós, thronos das luas proscriptas,

«Ó Comares, ó forte Albaicim!



«Para sempre, ai, adeus! té á morte

«Viverás n'este peito, ó Granada!

«Mas debalde, ó mansão adorada,

«Que estes olhos jámais te hão de vêr...

«Acabou-se o dominio dos crentes

«N'este solo tão bello de Hespanha;

«Não ha força de heroica façanha

«Que nos possa das ruinas erguer.»

Disse, e o pranto nas faces corria

Do rei mouro, dos seus que restavam.

Longe ao longe as trombetas soavam

Em Granada já feita christã:

Era o canto d'alegre triumpho

Em redor dos pendões de Fernando;

Era o grito d'Allah desterrando

Das Hespanhas os crentes do Islám.

CANÇÃO

Índice de conteúdo

Que noite d'encanto!

Que lucido manto!

Que noite! amo tanto

Seu mudo fulgor!

Oh! vem, ó donzella;

Não temas, ó bella,

Que á noite só vela

Quem sonha d'amor.



A luz infinita

Dos astros, crepita,

Arqueja e palpita,

Serena a brilhar:

Assim o teu seio,

De casto receio,

De timido enleio,

Costuma pulsar.

A lua, qual chamma,

Que os seios inflamma,

Fanal de quem ama,

Desponta no céo;

E a nitida fronte

Retrata na fonte,

E estende no monte

Seu candido véo.



E a fonte murmura

Por entre a verdura,

E ao longe d'altura

Lá desce a gemer:

Que sons, que folguedos!

Parece aos rochedos

Dizer mil segredos

D'infindo prazer.



Silencio! o trinado

Lá solta enlevado,

Das noites o amado,

Da selva o cantor;

E o hymno que entôa

No bosque resôa,

E ao longe revôa

Gemendo d'amor.

O facho da lua

Co'a sombra fluctua,

Avança e recua

No chão do jardim;

Nas azas da aragem,

Que agita a folhagem,

Recende a bafagem

Da rosa e jasmin.



Que noite d'encanto!

Que lucido manto!

Que noite! amo tanto

Seu mudo fulgor!

Oh! vem, ó donzella;

Não temas, ó bella,

Que á noite só vela

Quem sonha d'amor.

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€1,99

Genres und Tags

Altersbeschränkung:
0+
Veröffentlichungsdatum auf Litres:
16 Januar 2025
Umfang:
100 S. 1 Illustration
ISBN:
4064066411978
Verleger:
Rechteinhaber:
Bookwire
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